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Ferramentas genômicas para melhoria da qualidade do leite

04/05/2017

Durante as últimas décadas, o melhoramento genético de vacas leiteiras teve como foco a busca de alta produção de leite

Ferramentas genômicas para melhoria da qualidade do leite

Durante as últimas décadas, o melhoramento genético de vacas leiteiras teve como foco a busca de alta produção de leite e outras características diretamente relacionadas, tais como a produção de leite/dia e a produção de sólidos. Este foco de melhoramento genético fez com que as vacas, ao longo de aproximadamente 50 anos, fossem diretamente selecionadas para aumentar o volume de leite produzido/dia, e consequentemente, expressassem maior produção por lactação. Nos Estados Unidos, por exemplo, as vacas nascidas em 2014 produziram cerca de 6.000 kg a mais de leite por lactação, do que as vacas da década de 60.

A genômica é o estudo de todo o material genético contido no DNA de qualquer ser vivo. Ao passo que a genética está aprofundada no estudo de um único gene, a genômica permite entender como os genes se relacionam, e como as informações estão fisicamente localizadas no cromossomo; seja para o crescimento e manutenção do animal ou para a evidência de alguma característica de interesse. Os testes genômicos podem ajudar na previsão da rentabilidade e na antecipação de medidas estratégicas que podem ser decisivas para a atividade leiteira.

Com o avanço da seleção para produção de leite houve uma redução de foco nas características-alvo para saúde e fertilidade, além de características de aprumo, altura, pernas e pés. Essa seleção intensa para um objetivo principal, contribuiu para reduzir a diversidade genética populacional do rebanho; fato que pode levar aos aumentos dos níveis de endogamia (acasalamentos entre indivíduos aparentados), prejudicando ainda mais a saúde, fertilidade e longevidade dos animais. Além disso, foi possível notar que este aumento da produção de leite oriunda da seleção genética pode ser correlacionado com maior risco de apresentar mastite clínica e aumento na contagem de células somáticas (CCS).

A mastite ainda é considerada a doença mais comum nos rebanhos leiteiros, que é responsável por aumento dos custos com medicamentos e veterinários; e, principalmente pelo custo da perda de produção pelos animais acometidos. Estudos recentes indicam uma prevalência de 25% para mastite clínica em mais de 4 milhões de dados de lactações analisados nos EUA, sendo que no Brasil um estudo recente, realizado em 587 rebanhos durante 5 anos, estimou a prevalência de 46,4% das vacas com mastite subclínica (> 200 céls/ml) e média de 17 novos casos de mastite subclínica/100 vacas-mês.

Dentro da fazenda, a CCS do leite afeta tanto o pagamento por qualidade, quanto resulta em prejuízos causados pela redução da produção de leite, seja ela na forma clínica ou subclínica. Com objetivo de reduzir a mastite, alguns pesquisadores desenvolveram programas de avaliação genética levando em conta o Escore Linear de Células Somáticas (EL-CCS), a partir de 1994. Desde então, a incorporação do EL-CCS em programas de avaliação genética, associados com outras medidas de manejo, possibilitou a redução da CCS média de 319.000 em 2003 para 199.000 células/ml em 2016, considerando os dados de rebanhos dos EUA.

A composição dos genes pode nos fornecer informações para o diagnóstico da doença como também sobre a patogenia do agente infeccioso. O maior progresso dos estudos genômicos voltados para a mastite foi verificado na resistência à doença. Os avanços genômicos têm possibilitado identificar polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs), que podem atuar como marcadores biológicos e ajudar a localizar os genes responsáveis pela resistência à mastite, além da detecção de muitos locus de características quantitativas (QTL) associados a características fenotípicas.

Estudos prévios indicam que as correlações genéticas entre a ocorrência de mastite e a produção de leite são positivas. Estima-se que vacas de alto potencial genético para produção de leite são menos resistentes à mastite, com uma correlação de 0,25 entre produção de leite e susceptibilidade à mastite. Sendo assim, a mastite e o EL-CCS são negativamente correlacionados com várias características econômicas importantes em um rebanho leiteiro, como vida produtiva, taxa de prenhez, e taxa de concepção, tanto de novilhas como de vacas. Assim, os programas de seleção podem balancear os impactos das características negativas com as características econômicas, selecionando animais mais resistentes à mastite ao mesmo tempo que haja seleção para produção, fertilidade e longevidade.
 

Fonte: Milkpoint